"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava apegada à cara.
Quando tirei e me vi no espelho,
Já tinha envelhecido."
Trecho do poema 'Tabacaria' de Fernando Pessoa, ou melhor, Álvaro de Campos.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
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Gostei
ResponderExcluirpoema forte...
ResponderExcluirGosto muito de encontros, mesmo entre personagens de ficção. Estou lendo o livro "Máquina de fazer espanhois" escrito pelo português valter hugo mãe (em minúsculas mesmo), que trata dos pensamentos de um senhor que acabou de perder sua esposa, também já idosa, e é colocado em um asilo por seus filhos. Neste asilo, uma das peronsalidades mais inusitadas é um senhor que, diz ele, havia sido retratado por um dos poemas do Fernando Pessoa, em Tabacaria.
Logo que li seu post me lembrei desse velhinho e do que o protagonista havia concluído antes de conhecê-lo, de que ali, no asilo, não importava se algum deles havia sido bem-sucedido ou não, porque estavam todos na mesma situação de abandono, dos familiares e da própria credibilidade, autonomia. O velhinho podia estar inventando que havia feito parte de um momento histórico de Portugal. Podia estar vestindo alguma máscara, mas como diz o poeta, "se estava mentindo, minha vingança foi acreditar".
Obrigada, Sil, essa pecinha do quebra-cabeça eu nunca teria descoberto sem o seu post.
o mais legal é a troca.
ResponderExcluirobrigada a você!